Como explicar ao tempo, senhor das dores, que eu preciso que ele voe. Mas que ele voe pra tempos atrás, anos e mais anos, até onde tudo isso teve início. Lá atrás onde havia um porto certo, um caminho cuidado, uma casa no mato e um som de cachoeira para a criança dormir. Eu poderia entregar meus bens, meus próximos eu's, só para sentir o amor que em outras vidas houveram, um sorrido sincero e terno, um amor desmedido e reciproco, um amor que por vezes não cabiam só dentro do peito. Ah, senhor de todas as dores... Queria uma explicação, um motivo aparente para que nessa vida tudo fosse o oposto do que foi no início. Ah, quem me dera por dias a dias poder reencontrar aqueles olhos negros tão grande quanto os meus, com um sorriso que mais parecia desenhados por anjos, aqueles cabelos que eram iguais aos dele e que me tomava a vida e o amor por inteiro. Quem me dera ver os dois sorrisos, quem me dera ser eu mesma em três, quem me dera não estar mais sozinha aqui, quem me dera poder reencontra-los e poder viver mais uma vez tudo aquilo que as montanhas foram testemunhas.
Eu aprendi navegar sozinha, parecia mentira todas as vezes que ela tentou me alertar sobre os desamores e sobre as mentiras que a vida me diria.
Mas, eu cegamente a via como deveria ver, como a sinceridade que ela expressava em cada ato afetivo direcionados a mim. Eu, me sentia naquela hora apenas uma tola. Que errou, que fraquejou e que tive que pagar meus erros, e que ela, sempre estava certa com cada palavra dura que me falava e sempre que eu batia a porta do quarto e saia sem rumo com meus cigarros na mão, era ela quem ficava em casa torcendo que eu chegasse bem e que no outro dia eu a olhasse e a ouvisse. Ela sempre esteve certa, ela sempre me amou, ela sempre me cativou. Foi sempre ela, apenas ela e mais ninguém nesse mundo. E apenas naquele momento eu pude ver e sentr isso.

