Crônica

Seja o Foco

11:38

Eu estava tão calma, tão zen como há muito não ficava... Eu precisava de ar para respirar, eu precisava me acalma. Estava confusa, com dores na alma e no corpo. Eu não sabia na verdade por onde andar.
Eu precisava de espaço, eu precisava chorar, desabafar, antes de enlouquecer. E eu sabia que eu encontraria minha paz hora ou outra, não era possível eu sofrer tanto e sem razão. Coloquei a cabeça pra cima, sequei as lágrimas e olhei bem para o alto. Vi que o céu não estava azul, estava cinza igual meu coração. As lágrimas caíram à caminho de minhas orelhas, mas não baixei a cabeça. Respirei fundo e joguei pra fora tudo o que me sufocava. Me vi uma louca, desesperada e sem ninguém, bom... essa sou eu.


Não adiantar querer apoiar numa parede que não existe, ou numa superfície fraca. Você próprio é sua base, suas paredes e seu telhado. Pare de tentar achar no outro o que você esconde de você mesmo. Vá viver sua vida, vá ser feliz e que tudo mais e dane. Seja você, seja sua paz, sua luz e sua vida. Seja o foco!


Desabafo

Não quero mais isso.

11:13

Hoje pela manhã a febre me catou de jeito, a garganta fechou e eu mal podia ficar de pé. Revisei cada ato da noite passada e em cada lágrima que caiu de mim, milhares de esperança de viver foram jogadas pelo ralo. Eu não sei lidar com pressão, com gente me olhando mergulhar no medo e no choro. Eu fujo de perto de qualquer braço de piedade ou de qualquer briga que palavras machuquem. Eu já vi gente partir sem deixar vestígios e sem avisar se voltaria. Eu vi sangue do meu sangue simplesmente me deixar pra trás com muito caminho ainda pra trilhar. Quando as vezes acho que tudo vai acalmar-se e eu finalmente irei sorrir, a alegria é arrancada de mim como num simples passo de mágica, de maneira que eu jamais poderei ter certeza se vai voltar. Eu tenho medo de envelhecer só, de ficar só e morrer só. Esse medo de solidão me deixa ainda mais solitária. É como um remédio inverso, é como uma dor sem cura, é um veneno que não mata e é só uma verdade que prologa a dor de maneira que morro a cada briga chorada.