25/04/2014

Meus sorrisos retratados por Vovó

''Ando devagar por que já tive pressa e levo esse sorriso por que já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe, só levo a certeza de que muito pouco eu sei... Nada sei.''


Estava triste, as lágrimas me acompanhavam e eu quis me isolar. Abri o portão que dá para o quintal e me sentei do lado das roseiras que minha mãe cultiva. A noite escura e estrelada eram minhas companhias. Fiquei a pensar o motivo de tantas coisas acontecerem com quem te cerca, o medo fala mais alto, é mais dominante. A incerteza e até mesmo a certeza de ser fraco. Me perdi em meus pensamentos, em minhas lágrimas e meus medos. Medos de ferir, de magoar, de marcar de forma negativa, de partir sem ao menos deixar algum legado.
Estava há cerca de meia hora lá quieta quando de repente meu vizinho, um senhorzinho de oitenta anos por quem tenho um imenso carinho, chegou em casa e foi para o seu quintal onde ele fuma seu cigarrinho noturno. Ele levou um pequeno rádio à pilha e ele sintonizou alguma estação AM e então começou tocar uma música que muito ouvi na minha infância, lá no interiorzinho pequeno onde minha avó ia todas as manhã no sítio e eu ia junto quando podia, brincando no caminho de terra com muito mato verde, muitas flores de beira de estrada e eu ia alegremente saltitante colhendo as flores, rindo e feliz. Lá, eu cultivava meu altar de pedras, tinha meu mundo inteirinho pra mim, meu castelo de pedras a minha frente. Eu tive uma infância difícil por razões de saúde, mas minha avó nunca deixou de me fazer uma digna princesa já que ela era a rainha. Aprendi tanto, sorri tanto, fui tão feliz apesar de tudo.
Hoje, quando sento com ela e conversamos (quando não estamos discutindo) ela sempre relembra dos meus vários sorrisos: O sorriso que eu dava quando tomava banho na chuva, quando ela me deixava brincar com o cachorro maluco, quando eu podia acompanha-la até a fonte de água pra pegar água, quando eu ela por fim me liberava pra subir nas árvores, quando ela me mostrava a corda na qual meu balanço estava, e principalmente quando ela me chamava pra mexer na terra com ela (quando quilos de milho joguei no mesmo local pra nascer vários pés e consequentemente várias bonequinhas).
Por fim uma coisa me entrou na cabeça: Se eu partisse hoje partiria plena, completa. A vida adulta chegou e de fato nada deixei de marcante na história da humanidade. Mas plantei uma árvore, escrevi um livro, livro esse que me deu a missão de fazer um filho. Então, do que devo reclamar? Amei, fui amada, sorri, fiz sorrir. E quando vejo o sorriso da minha avó falando de mim (quando não estamos brigando) eu vejo no brilho dos olhos dela o quado eu marquei uma vida, a vida DELA. Que muito embora eu tenha chegado paraquedas na vidinha dela, eu aterrissei num porto seguro, num lugar bonito, num lugar que me compôs. E sou grata, sou feliz e uma pessoa realizada, pois tive a melhor infância do mundo, em meio as minha limitações, 'Voinha' me fez ser quem sou.


Depois de reorganizar meus pensamentos, meus choro e meu riso, meu vizinho desligou o rádio pois o cigarro havia acabo, e eu desliguei o pensamento ruim, pois meu choro tinha acabado. Eu tenho muito o que aprender da vida, eu sei muito mas não sei de nada, eu sei pelo que passei mas não sei o que ainda está por vir. E que venha.



Foto: Esse porta retrato fica aqui no meu quarto
na prateleira de livros. Eu super fashion como vestido
que Voinha fez, loira e gordinha. Voinha no aniversário
de 61 anos em 1992. Poderia até postar foto de nós
duas juntas, mas amo TANTO esse porta retrato que
não tem nenhuma outra foto melhor!

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