25/04/2017

Perda Gestacional - É real, é sentida.

Quem acompanha o blog há um tempo lembra que uma vez perdida eu fazia uma postagem intitulada de 'ForaDoComum' e nela eu falava coisas que aconteciam fora do meus textos e dos livros. Já falei do meu casamento, do aniversário do meu melhor amigo, da minha visita ao ICIA... enfim, já falei de algumas coisas bem bacana. Mas o que eu trago hoje é um fora do comum bem incomum. Em vários posts do blog eu escrevo para o meus filhos, um em especial. Mas eu nunca contei o que realmente aconteceu em nenhuma das gestações, e muitas pessoas só souberam da minha gravidez através do blog, inclusive pessoas próximas. Vou tentar resumir pois se começar escrever eu surto e desisto. Minha primeira gestação foi em agosto de 2015 e durou até outubro. Eu estava tratando um derrame que tive por causa do lúpus, o qual sou portadora há 12 anos, e com o excesso de remédios o feto não resistiu e acabei perdendo meu primeiro anjinho dia 15 de outubro de 2015. Minha segunda gestação foi interrompida no dia que eu descobri, em março de 2016. Estava suspeitando, os sintomas e os etc eram todos iguais a primeira. Descobri pela manhã mas perante tudo que tinha passado sabia que ela não ia pra frente, e na noite daquele dia aconteceu. Como desde que descobri o lúpus sabia que seria difícil uma gestação, achava que seria forte caso um dia acontecesse algo grave, mas não, nunca estive.

Mas como a segunda não teve um peso tão gritante por eu já está ciente do que ocorreria, eu não surto tanto como surto quando lembro da primeira, e é justamente dela que eu quero falar. Bom, quando perdi meu filho eu fui vítima das piores palavras, conselhos e insensibilidade que uma mãe pode ser. Ouvi pessoas falarem coisas do tipo 'ele não tinha que ser seu' 'Seja forte, logo logo terá outro' 'Foi melhor agora do que mais pra frente' - como coisa que tem hora pra se perder um filho. 'Não deu nem pra se apegar' 'Ah, mas nem o amava' 'Isso já tá virando frescura, logo engravidará de novo'
Meu filho já era amado mesmo antes de eu e meu marido pensarmos em engravidar. E acredito que seja assim com  milhares de outras mulheres que passam pela dor da perda gestacional ou neonatal. E engana-se quem pensa que a dor pior é a dor da mãe que perdeu um RN pois não é, filho é filho e o luto é real e sentido. Não subestime nenhuma mãe no seu período de luto, de dor. Se realmente quer ajudar, consolar, evite falar coisas como as que eu falei entre aspas ali em cima. Isso machuca muito, isso dói bastante.

Nesses meus momentos, um grupo chamado 'DO LUTO A LUTA' me ajudou de uma forma que eu nem sei falar, e sei que ajuda muitas outras mães. Apoio, carinho, conversa, é uma forma de mostrar que se importa e que quer ver bem aquela mãe que está de braços e ventre vazio.
Eu sempre procuro, hoje, mandar uma mensagem positiva, oferecer uma conversa, fazer qualquer coisa para uma mulher que esteja passando pelo que eu passei, pois na minha época eu não tive NINGUÉM, isso mesmo, ninguém meeeeeeeeeeeeesmo que se importasse tanto com aquele momento, não teve uma pessoinha se quer que se ofereceu pra ir ao médico comigo, que perguntou se eu tava bem, se eu queria falar sobre meu filho, e isso é uma magoazinha que me corrói até hoje, mas não devemos guardar esse sentimento, não é mesmo?


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Vou deixar uma listinha de coisas que mais me doeram ouvir. E se você é uma mãe que passou por isso, sinta-se abraçada, sinta-se confortada e saiba que lá do céu nossos anjinhos estão olhando por nós, e um dia iremos nos encontrar. Seja forte, voce é guerreira, é linda, é especial, foi escolhida pra ser mãe de um anjo. Suas lágrimas um dia vão diminuir, talvez acabar, a lembrança vai continuar e seu amor, ah eu amor, esse nunca vai morrer. 

- Ele não era pra ser seu
- Você é jovem, logo vai ter outro
- E ai, já começou a praticar outro?
- Nem deu tempo você amar
- VOCÊ TÁ SOFRENDO POR UMA COISA QUE MAL EXISTIU (esse foi o que mal doeu principalmente pela pessoa que falou)









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