Conto

Missões

00:00

Certo dia tentaram me convencer que tantas coisas em nossas vidas são obras do acaso, como eu parei de discutir com as pessoas sobre os absurdos que elas pensam, eu resolvi ficar calada.
Eu aprendi, sozinha ou não, que nós chegamos ao mundo com algumas missões, as vezes são longas, rápidas, fáceis, difíceis e tantas vezes dolorosas. Eu entendi que nada é por acaso e que nós devemos nos entender, respeitar nossa mente e nosso corpo, pois tantas vezes ele grita e anseia pelo certo e nós teimamos em seguir o caminho, que as vezes por ser mais curto, é estranho e não é nosso.
Eu aprendi que minha missão é ser eu mesma, com meus defeitos e buscando sempre ser melhor que ontem e mais preparada para amanhã, pois nada que vai acontecer é por acaso. Estava decidido, estava escrito, e cabe a nós mesmos saber se vamos ou não seguir em frente e absorver os ensinamentos de cada coisa.



Amor

Sexta a noite

10:00

Mordias ralas, mordidas leves... Ah, mordidas.
Marcas de dentes, marcas de amor, marcas de seu e meu. Marca de nosso...
Gosto é disso, dessa intimidade e dessa cumplicidade. Gosto das palavras desses momentos, gosto dos olhares feroz e amigos. Gosto do cheiro, do beijo e do riso. ah o sorriso, mexe comigo, acaba comigo. Pertence ao meu ser interior.
E é disso que preciso continuar vivendo... De amor com sabor.


Chuva e frio

Dia bom

00:00

Bate o sono forte, bate também a chuva na janela.
Vem lá de baixo um  cheiro de chocolate quente, esse cheiro toma a casa.
Não quero acordar, mas também não quero dormir. Quero ficar aqui, nesse lugar com paz, amor e chocolate quente. A cada ângulo que olho, vejo afeto, vejo amor e vejo mato molhado. A chuva não sessou a noite inteira, então o verde está vivo e o cheirinho de água com mato deixa tudo mais lindo. Meus lençóis tem um perfume gostoso, tem calor e tem meu corpo. É desses pequenos prazeres que não abro mão na vida.

Conto

Bilhete

10:00

Querido, amigo... Eu bebi sua vodca, eu bebi também seu vinho. Sua cerveja? Essa joguei fora, detesto aquele gosto amargo na boca. Definitivamente, detesto o gosto que fica na boca.
Achei seus cigarros, uns já estavam estragados, outros nem tanto, esses eu aproveitei. E usei seu copo de wisky como cinzeiro, você me desculpa, não é? 
Eu procurei outros recipientes mas só esse parecia servir. 
Ah, eu também derramei vinho na sua almofada branco, juro que foi sem querer. E seu gato vai ficar sem precisar comer por pelo menos duas semanas, derramei toda a ração dele no chão.
Bom, a chave está em baixo do tapete e eu já fui embora. Usei sua jaqueta que eu amo, estava frio. Um beijo, com carinho... Savannah!

Conto

Breve conto

18:34

Ele tremia em minhas mãos e eu não poderia deixa-lo escapar, mas ele se debatia e chorava, embora eu fosse mais forte, ele quase conseguia sair de meus braços, que neste moento já estava fraco de tanta força que ele demonstrava e com uma mistura de suor e arranhões. Ele definitivamente não queria ficar comigo.
Atrás de mim ela caminhava sem olhar pra trás, sem dar importância para o choro do filho que em meus braços não parava de se debater. Ela chovara em silêncio, eu podia sentir aquilo, as lágrimas dela me cortavam mais o coração que o choro dele. Ela também não queria mas precisava deixa-lo comigo. Ela fugia da histería que lhe maltratava na sua casa, de seus pais que por maldade não lhe aceitava. Ela escondia tudo, de lágrimas à ele. O que me restava era lhe ajudar, prometer dele cuidar e faze-lo a esperar... Mas era tarde, muito tarde e dela ele já tinha todo o amor. Aquilo era novo, aquilo era doloroso e complicado. Mas era tudo o que me restava. Dar-lhe o amor que ela tinha me destinado, mimar-lhe o máximo que podia e esperar o dia dela voltar...

Conto

Apenas ela

17:45

Eu aprendi navegar sozinha, parecia mentira todas as vezes que ela tentou me alertar sobre os desamores e sobre as mentiras que a vida me diria.
Mas, eu cegamente a via como deveria ver, como a sinceridade que ela expressava em cada ato afetivo direcionados a mim. Eu, me sentia naquela hora apenas uma tola. Que errou, que fraquejou e que tive que pagar meus erros, e que ela, sempre estava certa com cada palavra dura que me falava e sempre que eu batia a porta do quarto e saia sem rumo com meus cigarros na mão, era ela quem ficava em casa torcendo que eu chegasse bem e que no outro dia eu a olhasse e a ouvisse. Ela sempre esteve certa, ela sempre me amou, ela sempre me cativou. Foi sempre ela, apenas ela e mais ninguém nesse mundo. E apenas naquele momento eu pude ver e sentr isso.

Conto

Um dia na vida!

00:05

Ela correu apressada, já estava atrasada há alguns minutos. Na estação lotada ela buscava a saída e olhava o relógio que parecia correr ainda mais rápido. 
Jeans justo, camiseta branca, jaqueta preta, sapatilhas vermelha, cabelos soltos e só um lado da mochila no ombro. Ali estava ela, atrasada no meio da multidão e preocupada.
Subiu quase correndo a escadaria e no final o avistou de costas. Então parou, respirou fundo, arrumou a mochila no ombro, virou as costas pra ir embora, deu dois passos e parou, balançou a cabeça como quem quisesse organizar os pensamentos ''não, não vim até aqui para desistir agora. Vou até lá, falo um 
oi e vou embora, pronto!"
Enquanto caminhava em direção à ele a cabeça fervia de pensamentos. Ele era um cara bacana, e eles eram apenas amigos graças a internet. Começou com coisas de trabalhos e depois notaram algumas afinidades, mas nem ela sabia o motivo de ter marcado aquele encontro. Mas estava ali, e ele estava a há alguns passos até ela poder toca-lo. Mas o motivo daquela ansiedade ela não sabia e tampouco entendia

- Rafael... - Ela falou num tom de voz diferente do normal, parecia rouca e parecia gritar muito alto. Por um instante quis bater em si própria por isso.
Cabelos claros, barba quase no mesmo tom, blusa cinza, jaqueta preta , jeans e conturno. Tudo isso acompanhado de um sorriso que dispensava qualquer palavra. Ela sorriu de volta pra ele e ali pareceu que o tempo parou e só existiam os dois naquela estação. Mas ele a acordou ainda sorrindo com um abraço, veio até ela e passou um braço em seus ombros e a outra mão pousou em sua cintura. Ela sentiu o cheiro dele e as mão tocaram as costas o apertando contra ela de leve.

- Aqui estamos nós dois. - Ele disse quando a soltou.
- Pois é, aqui estamos nós dois. - Ela respondeu visivelmente nervosa passando as mãos nas laterais da calça.
- Tem um bar aqui perto, podemos ir lá conversar.
Ela aceitou o convite com um aceno de cabeça e começou então a caminhar do lado dele. Logo a ansiedade deu espaço pra uma conversa sobre a super lotação nas estações e nas ruas, ela estava muito mais aliviada e nem um pouco nervosa.
Entraram em um bar pouco movimentado e sentaram numa mesa do canto. Ela pediu cerveja e ele wisky, conversaram sobre fotografia, grafite e jazz. A forma que ele mexia os lábios todas as vezes que descansava o copo na mesa arrancava dela um riso simples. Depois de cerca de meia hora ela avisou que teria que ir embora. Ele pagou a conta e então saíram. Do lado de fora do bar trocaram um abraço e beijos nos rostos. Ela o olhou pela última vez e virou de costas pra ir embora, segurava nas mãos um livro sobre fotografia que havia ganhado de presente dele. Baixou a cabeça sorrindo e estava mais afastada quando ele gritou:

- Então é isso? 
- Oi? - Ela virou-se confusa.
- Você despencou de tão longe pra vir apenas me ver? Disfarçou tão mal os olhares para minha boca e o calor de seu corpo ao me abraçar pra isso? Ir embora assim?
- Não estou entendendo. - Ela o olhava confusa.
- Fica ai.
Ele voltou com o capacete na cabeça e um na mão. Foi colocando na cabeça dela e segurando a mão dela a puxou. Subiu na moto e ela subi junto. Passou os braços em volta da cintura dele e conforme ele acelerava ela o apertava. Chegando em um prédio ele foi logo buzinando e o porteiro abrindo. Deixou a moto no pátio e foi tirando o capacete, ela o copiou. Ele segurou sua mão e andando rápido entraram no prédio. Chegando a porta do elevador ele apertou o botão, a olhou e ela sorriu, ele sorriu de volta.  O elevador demorou e ele a puxou mais uma vez. Subiram quatro lances de escada e ela já estava cansada de correria.
Chegando na porta de um apartamento ele a encostou na parede e a beijou. Ambos deixaram os capacetes caírem e continuaram o beijo quando ele conseguiu abrir a porta e enfim entraram. Ele a soltou para pegar os capacetes e fechar a porta. Ela tirou a mochila e a jaqueta. Levantou a vista e ele a observava. Se aproximaram um do outro e voltaram a se beijar. Caíram no sofá...



Horas depois ela acordou e ainda com os olhos fechados começou passar a mão no rosto e no cabelo. Sorriu ao ouvir o riso dele. Abriu os olhos devagar e ele estava sentado ao lado dela, sem camisa a observando. Ela ergueu a mão e tocou a mão dele.

- você fica ainda mais linda quando acorda.
- E você ainda mais lindo quando sorrir pra mim.
- Tive o direito de uma tarde incrível ao lado de uma mulher maravilhosa apaixonada por mim.
- Toda mulher tem direito a uma última paixão antes de seu casamento.

Ela deixou a mão que já estava erguida na luz do sol que estava se ponde e entrava pela janela. O raio de sol reluziu em sua aliança na mão direita!




Conto

Um conto sobre a vida

00:44

Tocava uma música no rádio da moça do apartamento ao lado, era Domingo e eu queria dormir. Há dias eu não dormia direito, trabalhava demais. Só me restava o Domingo. E aquela moça, que eu nem conhecia, não me deixava dormir.
Virei de um lado pro outro, coloquei os travesseiros na cabeça, mas nada adiantava. Eu estava disposta a levantar, a bater na porta, queria falar o quanto ela estava me incomodando. Queria falar que eu precisava dormir e ela não deixava.
Catei a primeira roupa que me apareceu e levantei. Cheguei na porta e bati com força. Então um rapaz com uma criança no colo me atendeu, com cara de aflição perguntou o que eu queria.

- Olha, acho que você e sua esposa estão ouvindo o som um pouco alto demais, é Domingo e é muito cedo. Isso estar incomodando a mim.

O rapaz me olhou ainda mais assustando que antes e então falou:
- Moça, sinto muito. É que minha filha só dorme com música, mas hoje não sei o que houve. Ela está doente e não fica bem de forma alguma, já dormiu pouco a noite inteira. E agora pela manhã piorou.

Eu fiquei confusa, sem entender a expressão do rapaz. Mas ainda irritada falei:
- Entendi. Então mande sua esposa arranjar outro jeito de cuidar da menina. Inventem, mas desliguei esse som por favor.

Os olhos do rapaz olharam o chão e ele falou com a voz muito baixa que mal dava para ouvir:
- Não tenho esposa. Sou só eu e ela, ela fica na creche e a pego no fim da tarde quando saio do serviço. Mas ultimamente tenho trabalhado bastante e ela crescendo. Estou ficando mais confuso e cansado para cuidar dela. A mãe dela faleceu uma semana depois que ela nasceu e eu não tenho família aqui, a família da mãe dela não nos aceita e por isso sou só eu e ela. Essa semana ela adoeceu e os cuidados ficaram mais delicados e eu estou completamente perdido. Eu não sei como agir, as vezes, e tudo que faço é o que acho melhor pra ela, ando me desdobrando em mil para suprir tudo que ela precisa, não sou suficiente mas sou o que ela tem. Meu amor, meu carinho e meus cuidados são tudo o que tenho para doar à ela. E espero conseguir fazer isso de forma que a supra de necessidades básicas. Desculpe por incomodar você tão cedo, apenas quis a confortar da forma que ela gosta e que eu sei. Não tive noção que estava alto demais, mas é que na forma que aumentei o volume ela relaxou e adormeceu, mas acabou de acordar agora que você bateu na porta. Mas não vou incomoda-la mais, moça. Vou desligar o som e tentar acalma-la de alguma outra forma, sinto muito.

Meus olhos estavam rasos de água. O rapaz estava num misto de medo, tristeza e desespero. A garotinha, de pouco mais de dois mês me aparentava estar alerta, mas com semblante adoecido.
Eu não consegui emitir uma palavra ao menos, meu coração estava em pedaços e eu nem sabia como agir, me desculpar nem era suficiente. Mas assim mesmo fiz, falei mais algumas coisas em forma de me desculpar.
Voltei pra casa e só ouvi o som muito baixo tocando alguma música que minha mente não processou qual era. Eu só conseguia pensar como o ser humano era individualista quando tem tudo o que almejou e como ainda é mal agradecido. Quantas vezes  reclamei que meu apartamento era pequeno, meu salário que faltava quando saia todos fins de semana para beber, como era ruim ter que trabalhar aos sábados, como era chato ter que cozinhar ou arrumar a casa sozinha. Como não valorizamos o que temos, e só quando perdemos é que vemos que poderíamos ter dado o devido valor.
É impiedoso e cruel reclamar por besteiras, besteiras essas que podem ser revertidas. Se você tem seu lar, sua comida, seu trabalho e sua família, você é rico.
O que faz riqueza não é dinheiro em excesso e sim amor em excesso!
Aprenda a valorizar as pequenas coisas da vida, as lindas borboletas que vem ao seu jardim, antes que elas batam asas e nunca mais voltem.


Amor

Menina de meus olhos

23:16

Menina de sorriso largo, de bochechas rosadas e voz doce.
Menina de cabelo perfeito, pele clara e andar deslumbrante.
Menina, menina, menina...
Esses teus olhos me acompanham todos os dias em cada movimento meu.
Tua história está cravada em meu peito de modo que nunca vai sair.
Esse teu tom de me animar e me aninhar em teu colo pequeno, me aquieta e me enche de vontade de te ver crescer.
Menina, menina, menina...
A cada novo sonho de um futuro pra ti, meus olhos criam mais cor e minha vida mais graça. E esse meu amor é tão grande que nunca se acaba.
Ah menina, como seu ser me alegra e me transborda.
Ah, menina... Como meu amor por ti é grande. É eterno. É teu.


Conto

Despedia do sol da praia

16:55

Tá ficando tarde, é meu último dia aqui.
Quero ainda sentir a brisa do mar no meu rosto.
Ver o sol nascer e se por.
É meu último dia aqui.
A água cai gelada na minha pela, é o último banho de bica.
As malas estão prontas.
O carro abastecido.
É meu último dia aqui e está ficando tarde.
Ainda há tempo de um último sorvete ou um último suco cítrico?
Já é tarde, eu tenho que  ir.
Quem sabe eu volte, quem sabe eu ainda plante raizes aqui.


Amor

Mais um dia

23:45

Ele acorda, abraça ela apertado, aconchegando-a mais ainda.
Beija de leve os lábios, ela sorrir meio sonolenta. 
Ele afasta os fios de cabelo que estão no rosto dela, e a beija na testa.
Demora alguns minutos até ela voltar a dormir, o que acontece rápido.
Ele levanta e vai à cozinha, com cara de sono mas feliz.
Abre a janela da cozinha e deixa o vento da manhã entrar e invadir o ambiente.
A chuva cai fraca no jardim, as nuvens pesadas dão o tom do dia frio e ele sorrir por saber que é o típico dia que a deixa feliz e de bom humor, porém, noventa por cento mais manhosa.
Ele prepara o café dela, e ao mesmo tempo seu chá.
Ela entra na cozinha, vestida com a blusa dele.
Abraça o corpo dele por trás e o beija na altura do ombro, ele segura a mão dela junto ao seu peito e ela sorrir se sentindo plena.
Vira-se pra ela devagar e a abraça pela cintura, os braços dela ficam em volta do pescoço dele.
Um beijo cela o bom dia de mais um dia que tem início naquela vida...


Conto

A tempestade e ela

23:15

Mania chata, mania idiota, mania infantil, mania tua de me culpar por todos os teus desastres, por todos os teus caos, por todos os teus porres, por todas as tuas ressacas.
Mas quer saber? Eu bem que adoro a tua cara de fera e de decidida quando grita comigo e me esbofeteia, mas amo mais ainda teus passos tropos no caminho até chegar em mim.
Ah, maluca, como amo esse teu jeito de escancarar o verbo e me incendiar. De falar o que pensa e me amar. Mas sabe o que me vence e me faz querer te ver todos os dias, é que depois da ressaca você volta a ser mansinha, calminha e minha, como eu sempre amo.
Amo esse vulcão, amo essa calmaria, amo esse mar em fúria, amo esse lago de águas claras e profundas, amo você!

Conto

Alucinações

22:43

Não estou bem, a cerveja acabou de acabar, pra variar.
O cheiro e a fumaça do incenso ainda está por todo o quarto.
Ainda estou jogada no chão.

Estou enjoada, novamente.
Meu cabelo molhou o chão inteiro.
Estou cansada demais pra levantar, intacta demais pra me tocar.

Cabeça está rodando, o teto está mudando de cor.
Não quero que me toque.
Estou ainda com poeira, com cheiro de fumaça.
Há algum jeito dessa droga parar de funcionar?
Digo, a embriaguez, o enjoou, o estresse e a tristeza.

Eu não estou em mim, não estou me fazendo bem.
Será que o tempo parou e dois mil e onze voltou?
Não pode ser, você ainda estaria vivo.

Que belo sábado pra lembrar de você e só sentir tua presença.
Já te disse que o mundo anda bem? E que ele anda mal?
Ah, tenha dó. Você quebrou a porcaria da maçaneta da porta outra vez.

Me deixou trancada pela milésima vez, bela droga você é, Thiago!

Amor

Era ela

21:48

Eu estava quieto, sentando no chão ao pé da janela. Não tinha sido nada fácil pelo que tinha acabado de passar. Meu cigarro me acompanhava e uma música alta nos fazia companhia, e era daquele jeito que eu sinceramente queria passar minha noite. Sem ninguém pra reclamar do meu som alto, das minhas roupas jogadas por toda parte, minha fumaça de cigarro que invadia todo meu apartamento, tampouco da louça que deixei toda jogada pela mesa, pia e fogão. Já estava no último cigarro daquela carteira e a música numa das mais brutais que eu conhecia. Quando de repente eu vi a porta da sala se abrir... Era ela.

Ela entrou, ascendeu a luz e já foi logo reclamando das roupas do sofá, saiu juntando todas que encontrou, passou por mim, abaixou, tocou meus lábios rápido, abriu a janela e foi pegando os cigarros, o cinzeiro, me fez um carinho no rosto e foi em direção ao som, trocou meu cd por um com músicas calmas que ela gostava, diminuiu o volume e correu pra cozinha. Tirou o sapato e os jogos pro quarto, tirou toda a louça suja no fogão e mesa, as lavou e deixou toda cozinha intacta em fração de minutos, arrumou a sala, me deu outro beijo rápido e foi pro quarto. Meu celular ascendeu e vi que era um sms de um amigo que morava no apartamento do lado, e nele falava ‘Patroa chegou, amigo.’ Me irritei com aquilo, ela chegou e foi fazendo exatamente o que eu não queria que ninguém fizesse, trocou minha música, pegou meu cigarro, mexeu na minha casa inteira e me fez ser alvo de brincadeira, mas aquilo não iria ficar assim, iria falar com ela e impor minhas regras. Quando ia levantar a senti chegar perto de mim, disse logo que teria que impor umas regras pra ela. Ela apagou a luz, colocou a música ainda mais baixa, sentou do meu lado com uma garrafa de vinho e um copo. Usava minha blusa favorita, os cabelos meio úmidos. Entregou o copo e sentou no meu colo, apoiou as costas no meu peito, virou pra mim e disse que queria vinho também.Tomou um gole, segurou minha mão, beijou e disse que eu poderia falar das regras que eu iria impor. A segurei pela cintura, apoiando meu queixo no ombro dela e disse 

Quando chegar, me dar um beijo mais demorado e por favor, não sai nunca mais da minha vida. E da nossa bagunça, deixa que cuido junto com você.

Conto

Conversa com vento

22:42

Espera... Já vou começar, deixa só eu pegar mais um café.
É ali naquele butiquim de beira de estrada.
Não é um dos melhores que já provei, mas é café, então é bem vindo.
Eu já te disse que estou em viagem? É, mas nem me pergunte pra onde. Até agora não sei, não sei ao certo quantos quilômetros andei, mas sei onde passei.
Num belo dia juntei tudo que tinha, que me compunha e vim embora, e agora estou aqui. Não estou perdida, só estou tentando achar meu lugar.
E se demorar? Eu não tenho medo de caminhar. Só não vou com pressa, só não vou correndo, vou com calma e admirando.
Dias desses mesmo parei num campo florido, e que coisa linda, sabia que entendi até sobre amor?
Ah, e o café, você aceita?
Agora eu vou voltar à ir... Noutrora eu volto, ou te reencontro e te conto onde cheguei.

Amor

Campo florido

10:29

O carro foi parando devagar e eu calmamente fiquei a admirar o campo verde. Sentei no início da grama e tentei respirar o mais calmamente que pude, queria que o momento pudesse parar e ficar guardado para sempre em meu ser.
Assim como um abraço recebido carregado de carinho, como um beijo terno e único e talvez último, como um olhar sincero e fixo. São coisas que penetram na alma e se eternizam. A ideia de uma eternidade tem solidez quando bem querida e bem recebida. Querer ser eterno na eternidade de alguém é tão mágico e torna-se uma dádiva, um alicerce e uma fortaleza.
Mas disso e pra isso, tem que ter tanta sabedoria que chega até ser a maior qualidade.
Amar é como o campo verde, lindo e florido, tem que saber cuidar pra durar e ser belo para os olhos de quem ver e o coração de quem vive.

Amanhecer

Aquecendo

20:24

Conforme o sol ia tentando ficar mais forte, o som do vento me distraia mais ainda. E mais uma vez a estrada que me levava, e eu não fazia ideia pra onde. Tinha na mala tudo que era possível, e na minha cabeça o impossível.
Estava cansada do que passou, como passou e de onde vivi. Era hora de enfrentar o novo, recriar caminho e reabastecer forças. O futuro fica longe do passado, o presente é o equilíbrio. E pra que melhor do que equilibra as forças que fazendo o que se gosta e onde gosta?
Então deixa o vento embalar a canção que soa com o raiar do sol na estrada...



Calma

Lugar com sol de inverno

11:51

Juntei na minha caixa minhas cartas mal escritas, meus bilhetes recebidos, meus mimos que enfeitavam a prateleira de livros agora vazia.
E onde os livros estão... Ah, sim, numa segunda caixa junto também com os retratos que escondiam uma parede florida.
Na mala as roupas de liquidação que sempre comprava em fim de temporada, pelo menos depois que o tempo passa elas deixam de ser a roupa da hora e passam a ser a roupa, bem fora do contexto, como meu cabelo, que agora curtos mostram a tatuagem da nuca, o chapéu do chapeleiro de Alice In Wonderland.
Na terceira caixa, pequena, preta e com fivela, todos meus lápis de olho de cores mais diversas possíveis. O resto da maquiagem preenchem os espaços.
Numa versão particularmente minha, de karatê kid, botei e tirei casado umas três vezes, até perceber que minha excitação era maior que o frio. Juntei tudo o que ainda restava, coloquei pelo carro. Fechei a porta, coloquei as chaves do bolso da saia. Respirei aliviada e entrei no carro.
Mais uma vez, um novo começo num novo lugar!